A minha estadia em Hoi An terminava ontem. Bilhete reservado e mochila feita. Mas foi ontem pela manha que entrei no restaurante errado, que afinal de contas, viria a ser o restaurante certo. De volta ao almoco. A melhor comida que comi desde que deixei Portugal. Um misto de sabores e texturas que fazem fila de espera dentro da nossa boca. Toda uma novidade de emocoes servida com uma atencao e com um carinho nao mensuravel. O Senhor Kim e a sua famila so nao nos leva a comida aa boca, porque enfim. Terminado o almoco fui cancelar o meu bilhete e voltei para o jantar. "Como ja percebi que gostas de peixe, ao jantar vais comer peixe novamente mas tudo diferente". E assim foi. Toda o mesmo ritmo de sensacoes. Desta vez com o restaurante cheio
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Cafe des Amis
A minha estadia em Hoi An terminava ontem. Bilhete reservado e mochila feita. Mas foi ontem pela manha que entrei no restaurante errado, que afinal de contas, viria a ser o restaurante certo. De volta ao almoco. A melhor comida que comi desde que deixei Portugal. Um misto de sabores e texturas que fazem fila de espera dentro da nossa boca. Toda uma novidade de emocoes servida com uma atencao e com um carinho nao mensuravel. O Senhor Kim e a sua famila so nao nos leva a comida aa boca, porque enfim. Terminado o almoco fui cancelar o meu bilhete e voltei para o jantar. "Como ja percebi que gostas de peixe, ao jantar vais comer peixe novamente mas tudo diferente". E assim foi. Toda o mesmo ritmo de sensacoes. Desta vez com o restaurante cheio
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Don Quixote
Sempre gostei de brincar ao Carnaval. Vestir outra
Eu acredito nos gigantes de Dom Quixote. Eu proprio vi gigantes aa deriva nas aguas de Halong Bay. Suspensos na neblina do Mar da China prontos
a esmagar os barcos mais atrevidos.
Teraa Dom Quixote ignorado o Antigo Testamento no meio do seu fascinio
por livros de cavalaria? Se o tivesse lido saberia que o pequeno David derrubou o gigante Golias por intermedio de uma funda. Talvez o facto de ter investido contra os gigantes os mesmo se tenham transformado em moinhos de vento. Nunca se saberaa a verdade. E a verdade vem da experiencia. Como a que Noe teve a quando do diluvio ou a que eu tive apos um dia de chuva da cidade de Hue.
pele por um dia. Marchante, pirata, poveirinha, mulher da vida, mimo, espantalho e ate Amalia Rodrigues. Assumi todas estas personagens quando ja era um ser pensante. Continuo a imaginar-me trajado de muitas outras personagens. Com excepcao de uma: Dom Quixote. Da mesma forma que a camisola 23 dos Chicago Bulls seraa sempre do Michael Jordan, o fato de Dom Quixote seraa sempre da minha amiga Melanie LaVita. Nao ha portanto grande coisa a fazer. Mesmo considerando um cenario hipotetico no qual o traje de Dom Quixote nao figure no ceu de Torres Vedras, eu estaria sempre impedido de recriar tal personagem. A graca
do Carnaval advem exactamente de sermos
outra pessoa por um dia. Sao demasiados os dias em que me vejo como Dom Quixote, e por isso nao me posso mascarar de mim proprio. Seria Dom Quixote assim tao diferente de todos noos? Sinceramente nao o creio. Conduziu o seu empreendimento com base nas suas crencas. No fundo ee que aquilo que todos noos fazemos. Somos depois julgados por isso... e a julgar a diferenca somos todos especialistas. Se as apreciacoes sobre Dom Quixote nao passam de um romance, ja o julgamento de Galileu pouco tem de ficcao.
Eu acredito nos gigantes de Dom Quixote. Eu proprio vi gigantes aa deriva nas aguas de Halong Bay. Suspensos na neblina do Mar da China prontos
a esmagar os barcos mais atrevidos.
Teraa Dom Quixote ignorado o Antigo Testamento no meio do seu fascinio
por livros de cavalaria? Se o tivesse lido saberia que o pequeno David derrubou o gigante Golias por intermedio de uma funda. Talvez o facto de ter investido contra os gigantes os mesmo se tenham transformado em moinhos de vento. Nunca se saberaa a verdade. E a verdade vem da experiencia. Como a que Noe teve a quando do diluvio ou a que eu tive apos um dia de chuva da cidade de Hue.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Carpete vermelha
A introducao a um paiis ee sempre algo de
peculiar. Ainda mal tinha posto os pes em terra e ja estava envolvido no Vietname. O taxi que me levou ate ao centro de Hanoi ate parecia um embaixador do transito local. Nada melhor que duas inversoes de marcha em plena autroestrada. Sem luz para nao encadear os outros veiculos e bem chegadinho aa esquerda para podar o arvoredo da berma. Passada mais de uma hora de conducao avisto finalmente os meus amigos Fernando e Elena que ja me esperavam nas escadas do hotel. Mas ate ao taxista perceber que tinha de parar ainda andamos uns duzentos metros. Depois dos abracos da praxe o primeiro grande desafio. Sempre me considerei um verdadeiro expert no que toca a atravessar estradas, mas aqui nao ha regras, prioridades ou cedencias. Ee cada um por si. So consigo comparar isto a algumas romarias
nacionais como o S. Pedro da Povoa, as Feiras Novas de Ponte de Lima ou o Carnaval de Torres. Mas nesses casos apenas ha peoes. Nunca vi tanta mota na minha vida e elas aparecem aos magotes e vindas de todo o lado. Iria jurar que ate avistei algumas a vir do ceu. Os meus amigos decidem entao encaminhar-me para um bar. Mas nao um bar qualquer. Apelidamos tal espaco como Carpete Bar. O bar nada mais ee que uma simples carpete colocada em cima do passeio. As cervejas aparecem acompanhas de um balde de gelo e uma lula seca ee rasgada em pequenos pedacos. Tudo de geracao espontanea. Nao ha casa de banho, porteiro ou musica ambiente. Ee apenas rua. Amanha o bar poderaa nao estar aqui. Talvez esta rua nao seja boa para negocio. Mas enquanto aqui estaa, noos brindamos ao pulsar desta cidade. E sao inumeras as coisas que ali no chao vivemos. Demasiadas. Nunca caberiam em nenhum verso deste mundo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Voar por cima dos giboes
Nos meus tempos de adolescencia, parava muitas
vezes na pastelaria PaoPovoa. O pedido era quase sempre o mesmo: "uma beijoca". Um bolo com um nome atrevido e com uma cereja a servir de chapeu. A minha aventura no Laos termina com uma cereja de nome Gibbons Experience. A expectativa vinha sendo alimentada desde que me falaram disto na Australia. Tudo comeca com mais uma extenuante caminhada pelo meio da selva. As sanguessugas nao dao descanso a pes portugueses, americanos e neo zelandeses, e o sangue jorra com bom volume. Apos duas horas de esforco chega o primeiro cabo. O arnes ee colocado, a seguranca verificada e depois ee so lancar o corpo pelo ar. Entre gritos de tarzan,
palavores e risos desconcertantes, assim se voa por cima da selva. A excitacao estaa literalmente no ar e apos as primeiras licoes de voo, ja toda a gente voa de maquina fotografica em punho. Chegada a noite recolhemos a casa. Mas nao uma casa qualquer. Uma casa construida no topo de uma arvore a mais de 50 metros do chao. Para la chegarmos tambem tivemos que voar. Sao 06h30 e ja estou novamente pendurado. O som metalico do cabo mistura-se com o canto da Natureza numa hamonia perfeita. As caminhadas sao intervaladas com mais cabos e pelas aguas frias de uma piscina natural a que ninguem diz que nao. O cansaco leva-nos a outra casa no topo de outra arvore e a chuva ataca sem parar. A noite vai
caindo e eu desapontado por nao poder fazer mais zippings
nesse dia. Faltam 20 minutos para a noite cair por completo e a chuva amaina subitamente. Um dos nossos guias acede a conduzir-me pela floresta numa derradeira volta. Apenas uma americana decide juntar-se a noos! Ee uma sensacao indescritivel poder deslizar nestas condicoes. A selva como nunca a vi. Um misto de ilusoes. O condensado do nevoeiro, o negro do arvoredo e os sons terrificos da chuva a embater na terra. Ao terceiro dia ja ninguem quer saber das sanguessugas. Encontramos zippings ainda mais radicais com vistas inacreditaveis. De uma arvore apenas soltavam-se 4 cabos distintos e era uma sensacao fantastica podermos voar uns sobre os outros! Passei o dia a correr para poder voar o maior numero de vezes. So me lembro de correr tanto quando em crianca fui pela primeira vez a uma aquaparque.
Mortos de cansaco a aventura termina com a viagem de regresso a estrada principal. A chuva grossa que se esbateu, trouxe consigo trabalhos forcados. A pickup ficou atolada varias vezes na lama e tivemos todos que colaborar! A lama abracou-nos a todos e o riso soltou-se uma vez mais. E muito
se riram os passageiros do autocarro de 11 horas em que me meti de imediato. Pois nao ee todos os dias que se ve um camone coberto de lama!
vezes na pastelaria PaoPovoa. O pedido era quase sempre o mesmo: "uma beijoca". Um bolo com um nome atrevido e com uma cereja a servir de chapeu. A minha aventura no Laos termina com uma cereja de nome Gibbons Experience. A expectativa vinha sendo alimentada desde que me falaram disto na Australia. Tudo comeca com mais uma extenuante caminhada pelo meio da selva. As sanguessugas nao dao descanso a pes portugueses, americanos e neo zelandeses, e o sangue jorra com bom volume. Apos duas horas de esforco chega o primeiro cabo. O arnes ee colocado, a seguranca verificada e depois ee so lancar o corpo pelo ar. Entre gritos de tarzan,
caindo e eu desapontado por nao poder fazer mais zippings
Mortos de cansaco a aventura termina com a viagem de regresso a estrada principal. A chuva grossa que se esbateu, trouxe consigo trabalhos forcados. A pickup ficou atolada varias vezes na lama e tivemos todos que colaborar! A lama abracou-nos a todos e o riso soltou-se uma vez mais. E muito
se riram os passageiros do autocarro de 11 horas em que me meti de imediato. Pois nao ee todos os dias que se ve um camone coberto de lama!
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